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Cirurgias plásticas e botox vão pagar imposto

10-12-2009 16:06:00

Fazer uma cirurgia plástica ou colocar algum botox vai passar a ser mais caro nos EUA. O Senado norte-americano tem uma proposta que passa por cobrar um imposto sobre estes procedimentos já em 2010.

A taxa, de 5%, está incluída na reforma do sistema de saúde em debate nos EUA e deverá entrar em vigor a 1 de Janeiro de 2010.

 

A indústria da cirurgia estética tem-se esforçado por convencer os legisladores de que este imposto não atingiria apenas pessoas das classes altas que estão insatisfeitas com pormenores do seu rosto. Atingiria também mulheres de classe media, já que 86% das pessoas que se submetem a estes procedimentos são mulheres e 60% têm um rendimento anual entre 30 e 90 mil dólares, segundo dados da Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos (ASPC na sigla do inglês) citados pelo «USA Today».

 

Entre os argumentos do sector está o facto de as mulheres estarem sujeitas a uma pressão social infinitamente maior do que aquela que pesa sobre os homens para manterem uma aparência irrepreensível e jovem. «É uma decisão fácil para os senadores, quase todos homens, aprovarem um imposto sobre uma coisa que muito provavelmente nunca usarão», afirma a advogada Jill Filipovic, de 26 anos, ao jornal.

 

O sector das cirurgias plásticas alega ainda que o imposto seria extremamente difícil de aplicar. A proposta exclui cirurgias correctivas, para deformidades resultantes de acidentes ou doenças, e os profissionais do ramo dizem que a distinção entre cirurgia plástica e reconstrutiva nem sempre é muito clara.

 

O cirurgião Phil Haeck, presidente eleito da ASPC, explica que, por exemplo, uma intervenção para corrigir um nariz, com o propósito de desobstruir as vias respiratórias do paciente não pagaria o imposto. Mas se o médico endireitasse também o nariz torto do paciente, algo muito comum em casos de narizes partidos, por exemplo, isso já seria considerado uma operação estética. Casos como este «serão muito difíceis de decifrar para o Governo».

 

Os cirurgiões plásticos consideram ainda que este imposto teria como efeito levar os interessados a procurarem estes procedimentos for a do país. Os EUA contam já com uma experiência que deixa antever este resultado: Nova Jersey aprovou em 2004 um imposto de 6% sobre as cirurgias estéticas e, desde então, muitos pacientes deslocaram-se para Nova Iorque e Pensilvânia em busca de operações com custos mais baixos. Uma taxa a nível federal teria como efeito lever os pacientes para outros destinos, como Tailândia, México ou Costa Rica. «Nós já vemos muitas complicações decorrentes de cirurgias mal efectuadas no estrangeiro», alerta o médico.

Fonte: IOL Diário


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